quinta-feira, 15 de abril de 2021

Série Estudo de Obras Acadêmicas 2021.1 - Logística Urbana de Cargas

 

GELTRAN

 

Série Estudo de Obras Acadêmicas

 

Tema: Logística Urbana de Cargas

Documento: Perspectivas para a melhoria da distribuição urbana de mercadorias


A distribuição urbana de mercadorias é uma atividade fundamental no desenvolvimento das cidades, com significativa importância na sustentação do estilo de vida da população, na manutenção e competitividade das atividades industriais e comerciais, além de trazer consequências ao meio ambiente.

Dablanc (2007) define a distribuição urbana de cargas como sendo vários fluxos constantes entrando, atravessando e deixando as áreas urbanas. Segundo Lima (2005), a movimentação urbana de mercadorias tem crescido muito em importância por estar diretamente relacionada com a vida das pessoas nas cidades.

Crainic et al (2004) apontam que os principais fatores que contribuem para este fenômeno são a atual produção e distribuição baseadas em baixos estoques e entregas JIT (Just in Time) e o crescimento explosivo do comércio eletrônico.

Problemas

De acordo com Crainic et al (2004), as autoridades públicas promovem poucas políticas em relação ao transporte de mercadorias nas grandes cidades, atuando, principalmente, no sentido das regulamentações de estacionamento, de acesso à via, da janela de tempo para as operações.

As questões de transporte de mercadorias no nível da cidade ainda não são bem compreendidas, nem quantificadas, e não existe uma metodologia voltada especificamente para a análise e planejamento da movimentação de cargas.

Segundo Browne et al. (2007) “carga urbana é parte do transporte de carga em geral e da cadeia logística que, frequentemente, envolve uma área maior do que apenas uma cidade”. Portanto, se torna difícil a implementação de uma política destinada à distribuição urbana de carga sem afetar a parte interurbana deste fluxo de produtos.

Justificativa

O número de veículos de todos os tipos está aumentando rapidamente e, como consequência, o congestionamento e os níveis de poluição crescem em um ritmo acelerado.

Além disto, observa-se aumento da consciência pública em relação aos temas que impactam na qualidade da vida da população e, consequentemente, as autoridades começaram a tomar conhecimento e mostrar vontade política crescente de fazer alguma coisa. Assim, verifica-se a necessidade de analisar os movimentos de veículos de mercadorias nas cidades.

Transporte urbano de cargas

Segundo Browne et al. (2005), ele possui uma significativa importância na sustentação do estilo de vida da população, desempenhando um papel relevante na manutenção e conservação das atividades industriais e comerciais e contribuindo para a competitividade industrial.

Quak (2008) ressalta que os sistemas de transporte de cargas em áreas urbanas acarretam impactos no “triplo-P”: planeta (planet), pessoas (people) e economia (profit).

Soluções para mitigação dos impactos negativos da distribuição urbana de mercadorias

Dablanc (2007) salienta que a maioria das cidades analisa o tráfego de caminhões como algo que deve ser proibido ou, pelo menos, estritamente regulado, e poucas o consideram como um serviço que deve ser organizado de maneira mais eficiente.

Muñuzuri et al (2005) destacam algumas soluções que podem ser aplicadas pelos administradores locais:

       Soluções relacionadas com a infraestrutura pública (ex. o deslocamento modal da movimentação da carga urbana das vias para ferrovias);

       Soluções relacionadas com a gestão do uso do solo (áreas a serem usadas para as operações logísticas no ambiente urbano);

       Soluções relacionadas com as condições de acesso (restrições de deslocamento e de tempo/períodos);

       Soluções relacionadas com a gestão do tráfego (aplicações de tecnologia da informação para a melhoria da logística urbana e de esquemas de cooperação)

       Soluções relacionadas com as sanções e promoções (apoiar determinadas práticas sem impô-las, ex. carga/descarga fora do horário).

Quak e Koster (2009) salientam que as regulamentações sobre a movimentação de veículos afetam consideravelmente a organização do processo de distribuição aos varejistas e o meio ambiente: aumentam não somente a emissão de poluentes locais e globais, mas também o custo dos varejistas.

Browne et al. (2007) ressaltam que o nível de facilidade com que as operações de distribuição urbana são realizadas não elevam, necessariamente, a sustentabilidade social e ambiental de uma região.

É fundamental identificar medidas políticas e iniciativas privadas que traga benefícios tanto para as atividades da distribuição urbana, tornando-as mais eficientes, quanto para a redução dos impactos sociais e ambientais que estas operações acarretam (BROWNE et al., 2007).

Principais atores, relações e efeitos no transporte urbano de cargas

Verifica-se que existem diferentes custos diretos e indiretos envolvidos em várias atividades. Por exemplo, os custos de investimentos, operação e estocagem podem ser custos diretos para alguns atores como os investidores, as transportadoras, etc.

 Já os custos com tempo, acidentes e danos afetam os atores envolvidos e a comunidade. Os custos com a poluição do ar, barulho e espaço são, usualmente, externalidades que não são pagas diretamente. Estes custos podem ser financiados por meio de impostos ou taxas.

Questões para melhoria da sustentabilidade e da eficiência das operações de distribuição urbana

É importante ressaltar que a proibição do tráfego de veículos pesados em áreas urbanas pode ser benéfica em termos de intrusão visual, intimidação física e barulho, mas aumenta o número de viagens realizadas pelos veículos leves e, consequentemente, acentua-se o uso de combustíveis fósseis e a emissão de poluentes (BROWNE et al., 2007; QUAK e KOSTER, 2009).

Browne et al. (2007) salientam que algumas questões devem ser abordadas pelos administradores locais e operadores de transporte para alcançar a sustentabilidade e a eficiência das operações da distribuição urbana:

       Veículos que realizam entregas devem impor o mínimo de impacto social e ambiental;

       As autoridades locais de transporte, empresas de transporte de carga e outros negócios devem cooperar;

       Planejadores urbanos podem controlar da movimentação de veículos de carga;

       Empresas de transporte devem otimizar sua eficiência operacional das operações da distribuição urbana

Caso do Reino Unido

Esforço para estabelecer aproximação entre os setores público e privado para resolver os problemas relacionados à carga urbana. Organizações: Freight Transport Association – FTA (Associação de Transporte de Carga); Freight Quality Partnership (FQP - Parceria para a Qualidade do Transporte).

A FQP aproximou os grupos de interesse para:

       Identificar problemas percebidos por cada grupo em relação à movimentação e entrega de produtos na cidade;

       Identificar medidas para resolver ou aliviar estes problemas;

       Identificar melhores práticas e ações adotadas pelos governos locais e a indústria no que se refere à promoção da sensibilidade ambiental e econômica e de operações eficientes de entregas de produtos nas cidades.

Problemas identificados: engajar os envolvidos; assegurar a compatibilidade entre as políticas dos níveis locais, regionais e nacionais (BROWNE et al., 2007).

Tendências na distribuição urbana de mercadorias

Dificuldades do e-commerce: a complexidade operacional das entregas urbanas em função das restrições impostas, alta dispersão dos pontos de entrega e de visitas perdidas, além da dificuldade em delinear rotas eficientes (DABLANC, 2007).

Tecnologias que visam mitigar os problemas: os Intelligent Transportation Systems (ITS - Sistemas de Transportes Inteligentes) (CRAINIC et al., 2009). As transportadoras poderão acessar informações a respeito das condições de tráfego em tempo real o que auxiliará na realização das entregas e, consequentemente, no roteamento dos veículos. Podem aumentar da acurácia na predição dos tempos de chegada dos veículos e melhorar a responsividade dos pedidos dos clientes.

Melhor regulamentação da demanda do transporte através das TICs para monitorar os transportes. Implantação de sistemas de pedágio urbano, com as tarifas baseadas no tipo de veículo e no nível de congestionamento, e sistemas de pedágio ambiental, direcionando veículos longos, por meio de desconto nas tarifas.

Para as transportadoras: habilidade na consolidação de pedidos, agregação de capacidades de transportes (colaboração entre transportadoras), o planejamento inteligente de rotas (tempo real) e a localização do centro de distribuição.

Considerações Finais

Importância de soluções integradas, com a participação dos diversos atores que compõem o ambiente urbano, para o alcance efetivo de benefícios sociais, econômicos e ambientais.

A maioria das regulamentações propostas visa restringir o acesso de veículos nos centros urbanos por meio de imposições acerca do tamanho, peso e tempo de permanência dos veículos.

A experiência de muitos países como Holanda, França e Inglaterra demonstra que estes tipos de regulamentações, quando realizadas de forma isolada, muitas vezes não atingem o seu objetivo.

Em muitos casos, ocorre exatamente o inverso, isto é, a imposição de restrições eleva a quantidade de veículos de carga nos centros urbanos trazendo impactos desastrosos.


Referência

Título: PERSPECTIVAS PARA A MELHORIA DA DISTRIBUIÇÃO URBANA DE MERCADORIAS

Evento/Revista: Anpet

Ano/Publicação: 2010

Autor (es): Vagner de Assis Correia; Leise Kelli de Oliveira; Geraldo Robson Mateus