domingo, 10 de novembro de 2024

Novo Marco Legal dos Portos: repercussões sobre a economia nacional

 


Novo Marco Legal dos Portos: repercussões sobre a economia nacional

 

Um novo marco regulatório do setor portuário foi encaminhado, como anteprojeto de lei, à presidência da Câmara dos Deputados. A reforma deve ampliar a participação do capital privado no setor, dar maior segurança jurídica para os investidores, além de garantir estabilidade nas relações entre patrões e empregados.

A criação desse novo arcabouço legal é fruto de uma iniciativa da própria presidência da Câmara dos Deputados, que constituiu uma Comissão de Juristas especializada. Esta comissão buscou adaptar a legislação portuária vigente, a Lei no 12.815/2013, à realidade regulatória internacional, fundamentando-se em princípios de livre concorrência.

Em entrevista a Agência Câmara de Notícias, o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo Celso Peel, relator no colegiado, afirmou que “a proposta respeita a tradição e abraça a inovação, conforme os princípios da livre iniciativa e da valorização do trabalho humano”. O anteprojeto resultou de um trabalho coletivo de 15 integrantes da comissão especial, além de 12 eventos públicos onde foram ouvidos 43 convidados.

A mesma agência de notícias, o diretor-geral da Antaq, Eduardo Nery, defendeu a desburocratização prevista. “Isso aproximará mais a gestão de portos públicos e privados”, disse. Contudo, ele afirma que o desafio será a criação de mecanismos de governança que compatibilize as flexibilizações que a futura lei deverá trazer.

O novo marco busca unificar as regras de gestão e de fiscalização nos portos públicos e privados, o que poderá equalizar distorções nas taxas e custos portuários. No âmbito da fiscalização, feita pelos tribunais de contas dos Estados, TCU (Tribunal de Contas da União) e Antaq, também é comum haver conflitos e percepções distintas. Esse ambiente pouco translúcido contribui para aumentar o chamado “Custo Brasil”.

Um exemplo claro das diferenças entre os dois modelos está relacionado ao regime de contratação de mão-de-obra. No porto público, as contratações são temporárias e realizadas por intermédio do Órgão Gestor da Mão de Obra (OGMO) responsável pela alocação, gestão e pagamento dos profissionais da estiva. Todos os operadores portuários e agências marítimas, ao atuarem dentro de um porto público organizado são obrigados a contratar mão de obra por meio do OGMO. Destaca-se que algumas funções consideradas desnecessárias para a operação como o vigia de portaló são de contratação obrigatória ao OGMO. No porto privado, a contratação é feita pela CLT conforme necessidade da operação.

Entre as áreas apontadas como de possíveis melhoria, a nova legislação prevê um sistema mais integrado para o planejamento e execução das políticas para o setor. Assim, sugere-se que o Ministério de Portos e Aeroportos poderá focar em ações interministeriais, alinhando-se com outras pastas estratégicas, a exemplo do Comércio Exterior e Transporte.

A descentralização prevista permitirá que autoridades portuárias e a Antaq ampliem suas competências e tenham maior flexibilidade e agilidade para atuar adaptando-se às demandas locais.

Entre outros pontos, o anteprojeto aprovado prevê:

·         a criação de uma câmara de autorregulação e resolução de conflitos no setor portuário, visando soluções administrativas em vez de contenciosos judiciais;

·         um plano nacional de dragagem para atração de navios de grande porte, com possibilidade de financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante; e

·         atualizações nas regras trabalhistas e em medidas para a desburocratização das atividades nos portos públicos e privados.

A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), que representa mais de 245 terminais responsáveis por 19% do PIB e 76% da movimentação portuária nacional, vê a proposta com bons olhos. De acordo com a ABTP, a proposta caracteriza-se como um passo decisivo rumo à modernização e ao fortalecimento da indústria portuária brasileira. A Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph) também apoia a proposta.

Por outro lado, representantes dos trabalhadores portuários e do Ministério Público do Trabalho criticam o fim da exclusividade, nos portos públicos, da contratação de trabalhadores avulsos, como prevê a atual Lei dos Portos. Em audiência na Câmara, o advogado Eraldo Franzese, que atua para portuários de Santos (SP), explicitou frustração com a proposta.

Por fim, o que se espera é que o setor portuário brasileiro seja definitivamente modernizado e passe a operar dentro de parâmetros de eficiência.  Seus altos custos e gargalos impactam em última medida a toda a sociedade. Todos os esforços no sentindo de fazer com que esse importante setor possa de fato tornar-se uma mola propulsora para a economia nacional é válido, assim foi a BR do Mar. Portos mais eficientes geram produtos mais baratos e mais competitivos e, consequentemente, uma economia nacional mais pujante capaz de gerar mais emprego e renda.

 


Fontes:

Comissão especial de juristas aprova anteprojeto de nova legislação para portos; trabalhadores protestam

Presidente da APS propõe novo marco regulatório para vencer burocracia na gestão dos portos públicos

domingo, 28 de maio de 2023

Ferrovia Transnordestina - Parte II

 

Ferrovia Transnordestina, atualizações e mudança de traçado


Em junho de 2006, inicia-se no município de Missão Velha (CE) a construção que tinha previsão de finalização em 2010. Considerada como uma solução integrada para atender o Nordeste, sobretudo com foco na indústria mineral e no agronegócio.

De acordo com a Transnordestina Logística S.A (TLSA), concessionária responsável pela obra, a ferrovia terá capacidade para transportar 30 milhões de toneladas por ano, com destaque para granéis sólidos (minério e grãos).

A Transnordestina representará um novo marco no escoamento de produtos da região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), diminuindo o custo logístico e tornando os produtos brasileiros competitivos no mercado mundial.

Com o atual Governo Federal empossado em 2023, que vê a conclusão da obra como fundamental para a região, a previsão é que a Transnordestina tenha grande parte das obras terminadas no final de 2027, começando sua operação.


Histórico

A primeira cautelar, expedida em 2016, proibiu a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias; o Finor; o FNE; o FDNE; BNDES; e o BNDESPar a destinarem recursos, a qualquer título, para as obras de construção da ferrovia Nova Transnordestina (Malha II) ou para a concessionária TLSA. A cautelar foi revogada logo em seguida, em razão da apresentação dos projetos executivo e orçamentário.

Em 2017, o Tribunal de Contas da União (TCU) voltou a expedir cautelar às mesmas instituições e com o mesmo objetivo devido ao risco de prejuízos ao erário, detectado por nova análise dos auditores. A liberação de recursos ficou condicionada à apresentação de todos os elementos dos projetos solicitados pela ANTT à TLSA, incluindo os estudos geotécnicos.

Outra exigência feita pelo Tribunal foi a validação, pela agência reguladora, das alterações do projeto e a definição do respectivo orçamento.

Parte das irregularidades encontradas pelo TCU foram superadas em 2020, quando o Ministério da Infraestrutura, a ANTT e a concessionária entraram em acordo. Nessa época, estudo técnico elaborado por empresa de consultoria apontou que a operação parcial da ferrovia em um menor espaço de tempo e com menores investimentos de capital (Capex) traria evidentes benefícios ao país, dada a importância do empreendimento para a sociedade brasileira.

Novas Diretrizes

Em razão desses estudos e do avanço da negociação entre as partes, o TCU, em 2022, revogou a medida cautelar vigente desde 2017 e proferiu nova cautelar, em menor extensão, mantendo a proibição de aportes de recursos na Transnordestina pelo Ministério da Infraestrutura, ANTT, Valec (Infra S.A). Na ocasião, o TCU fixou prazo de 120 dias para que a ANTT pactuasse com a TLSA um novo cronograma para a realização das obras, prevendo a eventual retomada de aportes públicos, com a definição de prazos e de sanções no caso de descumprimento dos termos pactuados.

Ao fim do prazo concedido, a TLSA e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) celebraram, em 23 de dezembro de 2022, um novo acordo por meio de aditivo contratual, revisado e referendado pelo plenário do TCU, que possibilita à TLSA avançar com as obras de construção da ferrovia em um novo traçado com extensão de 1.209 km, dos quais 608 no Ceará, 395 no Piauí e 206 no Pernambuco.

O tribunal também ampliou para 2029 o prazo final para conclusão dos 300 quilômetros restantes das obras.



O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) será o responsável pela modelagem de um novo funding para financiamento das obras da ferrovia. Uma das propostas é o uso de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e da recompra de cotas do Fundos de Investimento do Nordeste (Finor) com esse objetivo. De acordo com o ministro Waldez Góes da pasta, em reunião com os governadores em fevereiro de 2023 em Brasília, afirmou que “o Governo Federal vai fazer o possível para que o projeto da ferrovia seja garantido por inteiro”.

Já foram aplicados R$ 7 bilhões. O restante está sendo estruturado entre a TLSA, o acionista CSN e o Governo Federal, visando finalizar e colocar em operação a ferrovia. A Ferrovia já conta com um financiamento aprovado de pouco mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 234 milhões do Finor e R$ 811 milhões do FDNE. A utilização dos recursos estava suspensa pelo Tribunal de Contas da União desde 2017, mas foi autorizada em julho do ano passado.

Para completar o orçamento necessário, está prevista a injeção de R$ 1 bilhão realizada pelos acionistas e pelo menos mais R$ 2,5 bilhões através do FNDE. No entanto, a participação dos acionistas ainda é uma incógnita, já que a Valec, estatal federal de ferrovias, saiu do projeto. O BNDES é um dos possíveis substitutos da Valec nessa posição.

Composição Acionária da TLSA



O secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, Eduardo Tavares, destaca que “continua na missão de estruturar a nova proposta, em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e também articular com a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e o Banco do Nordeste para que sejam liberadas as operações já contratadas pela concessionária junto aos Fundos”.

O que já foi feito?

Atualmente, há 815 km de ferrovia concluída, dos quais 190 no trecho de Pernambuco, a ser devolvido ao poder concedente. Em 2022, foram construídos 215 km de ferrovia, dos quais 165 no Piauí e 50 no Ceará (lote MVP01 – ver mapa acima). No Ceará, há 136 km totalmente executados e outros 100 km em obras de infraestrutura (lotes MVP02 e MVP03, entre Lavras da Mangabeira e Acopiara), que devem ser concluídos até o final de 2023. O trecho do Ceará, que fará a conexão do Piauí com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, é o foco da fase 1 do projeto neste novo plano refletido no aditivo assinado em dezembro.

Expectativa

O objetivo com a ferrovia é transformar a região em polo exportador de minério de ferro e conectar, por trilhos, o sertão e o mar. Outro ponto importante é o potencial de indução de desenvolvimento regional e integração que essa ferrovia tem. Em vários pontos, ela se aproxima da Transposição do Rio São Francisco, além da transição com a Transamazônica, um ponto estratégico para a região e que pode viabilizar o escoamento de grãos e de outros produtos que não só o minério.

A expectativa agora é a aprovação da nova proposta de estruturação dos aportes de recursos oriundos dos fundos constitucionais.

Fonte:

https://www.trendsce.com.br/2023/02/20/conclusao-das-obras-da-transnordestina-esta-prevista-para-2027/?fbclid=PAAaYzVJ4UJb1PGf3BU37-tJ4lJLZfsmns89wZDXkLp_T-MFtLF55qswhrYMo

https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/jamildo/2023/02/15183106-tcu-ve-irregularidades-nos-contratos-para-construcao-e-exploracao-da-ferrovia-nova-transnordestina.html

https://www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/midr-estrutura-novo-modelo-de-financiamento-para-finalizar-300-km-restantes-da-ferrovia-transnordestina

https://www.economicnewsbrasil.com.br/2023/03/27/transnordestina-quer-entregar-ferrovia-entre-o-porto-do-pecem-e-o-piaui-ate-2026/

https://www.csn.com.br/quem-somos/grupo-csn/tlsa/

 

Projeções do setor ferroviário no Brasil

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/projecao-de-investimentos-privados-no-setor-ferroviario-ultrapassa-r-170-bi-mostram-dados-da-antt/

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Série Estudo de Obras Acadêmicas 2021.1 - Logística Urbana de Cargas

 

GELTRAN

 

Série Estudo de Obras Acadêmicas

 

Tema: Logística Urbana de Cargas

Documento: Perspectivas para a melhoria da distribuição urbana de mercadorias


A distribuição urbana de mercadorias é uma atividade fundamental no desenvolvimento das cidades, com significativa importância na sustentação do estilo de vida da população, na manutenção e competitividade das atividades industriais e comerciais, além de trazer consequências ao meio ambiente.

Dablanc (2007) define a distribuição urbana de cargas como sendo vários fluxos constantes entrando, atravessando e deixando as áreas urbanas. Segundo Lima (2005), a movimentação urbana de mercadorias tem crescido muito em importância por estar diretamente relacionada com a vida das pessoas nas cidades.

Crainic et al (2004) apontam que os principais fatores que contribuem para este fenômeno são a atual produção e distribuição baseadas em baixos estoques e entregas JIT (Just in Time) e o crescimento explosivo do comércio eletrônico.

Problemas

De acordo com Crainic et al (2004), as autoridades públicas promovem poucas políticas em relação ao transporte de mercadorias nas grandes cidades, atuando, principalmente, no sentido das regulamentações de estacionamento, de acesso à via, da janela de tempo para as operações.

As questões de transporte de mercadorias no nível da cidade ainda não são bem compreendidas, nem quantificadas, e não existe uma metodologia voltada especificamente para a análise e planejamento da movimentação de cargas.

Segundo Browne et al. (2007) “carga urbana é parte do transporte de carga em geral e da cadeia logística que, frequentemente, envolve uma área maior do que apenas uma cidade”. Portanto, se torna difícil a implementação de uma política destinada à distribuição urbana de carga sem afetar a parte interurbana deste fluxo de produtos.

Justificativa

O número de veículos de todos os tipos está aumentando rapidamente e, como consequência, o congestionamento e os níveis de poluição crescem em um ritmo acelerado.

Além disto, observa-se aumento da consciência pública em relação aos temas que impactam na qualidade da vida da população e, consequentemente, as autoridades começaram a tomar conhecimento e mostrar vontade política crescente de fazer alguma coisa. Assim, verifica-se a necessidade de analisar os movimentos de veículos de mercadorias nas cidades.

Transporte urbano de cargas

Segundo Browne et al. (2005), ele possui uma significativa importância na sustentação do estilo de vida da população, desempenhando um papel relevante na manutenção e conservação das atividades industriais e comerciais e contribuindo para a competitividade industrial.

Quak (2008) ressalta que os sistemas de transporte de cargas em áreas urbanas acarretam impactos no “triplo-P”: planeta (planet), pessoas (people) e economia (profit).

Soluções para mitigação dos impactos negativos da distribuição urbana de mercadorias

Dablanc (2007) salienta que a maioria das cidades analisa o tráfego de caminhões como algo que deve ser proibido ou, pelo menos, estritamente regulado, e poucas o consideram como um serviço que deve ser organizado de maneira mais eficiente.

Muñuzuri et al (2005) destacam algumas soluções que podem ser aplicadas pelos administradores locais:

       Soluções relacionadas com a infraestrutura pública (ex. o deslocamento modal da movimentação da carga urbana das vias para ferrovias);

       Soluções relacionadas com a gestão do uso do solo (áreas a serem usadas para as operações logísticas no ambiente urbano);

       Soluções relacionadas com as condições de acesso (restrições de deslocamento e de tempo/períodos);

       Soluções relacionadas com a gestão do tráfego (aplicações de tecnologia da informação para a melhoria da logística urbana e de esquemas de cooperação)

       Soluções relacionadas com as sanções e promoções (apoiar determinadas práticas sem impô-las, ex. carga/descarga fora do horário).

Quak e Koster (2009) salientam que as regulamentações sobre a movimentação de veículos afetam consideravelmente a organização do processo de distribuição aos varejistas e o meio ambiente: aumentam não somente a emissão de poluentes locais e globais, mas também o custo dos varejistas.

Browne et al. (2007) ressaltam que o nível de facilidade com que as operações de distribuição urbana são realizadas não elevam, necessariamente, a sustentabilidade social e ambiental de uma região.

É fundamental identificar medidas políticas e iniciativas privadas que traga benefícios tanto para as atividades da distribuição urbana, tornando-as mais eficientes, quanto para a redução dos impactos sociais e ambientais que estas operações acarretam (BROWNE et al., 2007).

Principais atores, relações e efeitos no transporte urbano de cargas

Verifica-se que existem diferentes custos diretos e indiretos envolvidos em várias atividades. Por exemplo, os custos de investimentos, operação e estocagem podem ser custos diretos para alguns atores como os investidores, as transportadoras, etc.

 Já os custos com tempo, acidentes e danos afetam os atores envolvidos e a comunidade. Os custos com a poluição do ar, barulho e espaço são, usualmente, externalidades que não são pagas diretamente. Estes custos podem ser financiados por meio de impostos ou taxas.

Questões para melhoria da sustentabilidade e da eficiência das operações de distribuição urbana

É importante ressaltar que a proibição do tráfego de veículos pesados em áreas urbanas pode ser benéfica em termos de intrusão visual, intimidação física e barulho, mas aumenta o número de viagens realizadas pelos veículos leves e, consequentemente, acentua-se o uso de combustíveis fósseis e a emissão de poluentes (BROWNE et al., 2007; QUAK e KOSTER, 2009).

Browne et al. (2007) salientam que algumas questões devem ser abordadas pelos administradores locais e operadores de transporte para alcançar a sustentabilidade e a eficiência das operações da distribuição urbana:

       Veículos que realizam entregas devem impor o mínimo de impacto social e ambiental;

       As autoridades locais de transporte, empresas de transporte de carga e outros negócios devem cooperar;

       Planejadores urbanos podem controlar da movimentação de veículos de carga;

       Empresas de transporte devem otimizar sua eficiência operacional das operações da distribuição urbana

Caso do Reino Unido

Esforço para estabelecer aproximação entre os setores público e privado para resolver os problemas relacionados à carga urbana. Organizações: Freight Transport Association – FTA (Associação de Transporte de Carga); Freight Quality Partnership (FQP - Parceria para a Qualidade do Transporte).

A FQP aproximou os grupos de interesse para:

       Identificar problemas percebidos por cada grupo em relação à movimentação e entrega de produtos na cidade;

       Identificar medidas para resolver ou aliviar estes problemas;

       Identificar melhores práticas e ações adotadas pelos governos locais e a indústria no que se refere à promoção da sensibilidade ambiental e econômica e de operações eficientes de entregas de produtos nas cidades.

Problemas identificados: engajar os envolvidos; assegurar a compatibilidade entre as políticas dos níveis locais, regionais e nacionais (BROWNE et al., 2007).

Tendências na distribuição urbana de mercadorias

Dificuldades do e-commerce: a complexidade operacional das entregas urbanas em função das restrições impostas, alta dispersão dos pontos de entrega e de visitas perdidas, além da dificuldade em delinear rotas eficientes (DABLANC, 2007).

Tecnologias que visam mitigar os problemas: os Intelligent Transportation Systems (ITS - Sistemas de Transportes Inteligentes) (CRAINIC et al., 2009). As transportadoras poderão acessar informações a respeito das condições de tráfego em tempo real o que auxiliará na realização das entregas e, consequentemente, no roteamento dos veículos. Podem aumentar da acurácia na predição dos tempos de chegada dos veículos e melhorar a responsividade dos pedidos dos clientes.

Melhor regulamentação da demanda do transporte através das TICs para monitorar os transportes. Implantação de sistemas de pedágio urbano, com as tarifas baseadas no tipo de veículo e no nível de congestionamento, e sistemas de pedágio ambiental, direcionando veículos longos, por meio de desconto nas tarifas.

Para as transportadoras: habilidade na consolidação de pedidos, agregação de capacidades de transportes (colaboração entre transportadoras), o planejamento inteligente de rotas (tempo real) e a localização do centro de distribuição.

Considerações Finais

Importância de soluções integradas, com a participação dos diversos atores que compõem o ambiente urbano, para o alcance efetivo de benefícios sociais, econômicos e ambientais.

A maioria das regulamentações propostas visa restringir o acesso de veículos nos centros urbanos por meio de imposições acerca do tamanho, peso e tempo de permanência dos veículos.

A experiência de muitos países como Holanda, França e Inglaterra demonstra que estes tipos de regulamentações, quando realizadas de forma isolada, muitas vezes não atingem o seu objetivo.

Em muitos casos, ocorre exatamente o inverso, isto é, a imposição de restrições eleva a quantidade de veículos de carga nos centros urbanos trazendo impactos desastrosos.


Referência

Título: PERSPECTIVAS PARA A MELHORIA DA DISTRIBUIÇÃO URBANA DE MERCADORIAS

Evento/Revista: Anpet

Ano/Publicação: 2010

Autor (es): Vagner de Assis Correia; Leise Kelli de Oliveira; Geraldo Robson Mateus

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

E a obra da ferrovia Transnordestina?

 13/09/2020 / Artigo / por Janaína Sousa  e Prof. Igor Pontes



Em junho de 2006, foi lançada a construção da ferrovia em cerimônia no município de Missão Velha (CE). A previsão era que em 2010 os trens estivessem nos trilhos, com investimento estimado à época em R$ 4,5 bilhões (R$ 10,8 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA).

O projeto original foi batizado de Nova Transnordestina porque iria não só construir novos trilhos, como recuperar outros que estavam desativados na região. Dos 1.753 mil quilômetros da obra, 1.150 seriam recuperados de ferrovia já existente.

Quando concluída, a obra deve ligar a região produtora de grãos conhecida por Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), aos portos de Suape, em Ipojuca (PE), e de Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE).

Dados da obra

     1.753 km de extensão

     Irá passar por 81 municípios no Piauí, Ceará e Pernambuco

     Terá capacidade de transportar 30 milhões de toneladas por ano

Mapa – Traçado da Ferrovia Transnordestina


Trechos executados

     Salgueiro-Missão Velha 100%

     Trindade-Salgueiro - 100%


Histórico

Em 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançava, em cerimônia em Missão Velha (CE). A previsão era que em 2010 os trens estivessem nos trilhos, com investimento estimado à época em R$ 4,5 bilhões (R$ 10,8 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA).

Em 2010, a obra atinge pico, com 10 mil trabalhadores espalhados pelos trechos.

Em 2013, é assinado o Acordo de Acionistas e Acordo de Investimentos, que fixa em R$ 7,5 bilhões o valor da obra; custos excedentes deveriam ser bancados pelo parceiro privado.

Em 2014, é realizado a assinatura do Contrato de Concessão da Transnordestina, colocando a construção como obrigação da concessionária e indicando prazos. Obra começa a apresentar dificuldades e redução do ritmo, e CFN alega falta de recursos.

Em 2017, ocorre a última liberação de recursos pelo Finor (R$ 152 milhões). O TCU suspende os repasses de recursos públicos por meio do Acórdão Nº 67.

Em 2018, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) fixou prazos para que a TLSA (Transnordestina Logística S/A) — que tem como acionista controlador a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) — corrigisse os problemas com atrasos na execução de obras.

Em setembro de 2019, parte as obras foram retomadas no trecho entre Piauí e Ceará com recursos da CSN, mas seguem paradas em Pernambuco. A perspectiva de investimentos é da ordem de R$ 200 milhões, valor insatisfatório para finalizar a obra.

Em 2020, e com R$ 6,7 bilhões investidos, a Transnordestina tem 53% do projeto finalizado, sem prazo para sua conclusão. O investimento total da obra está hoje estimado em R$ 11,2 bilhões.

O futuro 

A ANTT propôs que à União declare a caducidade do contrato de concessão da ferrovia da TLSA. Na prática, a agência reguladora quer que um novo contrato seja efetuado. Como é uma recomendação, a decisão está com o Ministério de Infraestrutura.

O presidente da Valec, André Kuhn, informou em live ao Portal Infra que irá contratar uma consultoria para criar uma alternativa a proposta de caducidade da ferrovia. O plano deve ser entregue no início de 2021 ao Ministério de Infraestrutura.

De acordo com o portal Relatório Reservado, o Ministério da Infraestrutura estava planejando lançar, ainda neste ano, o edital de licitação do trecho entre a cidade de Salgueiro (PE) até o Porto de Suape. O leilão ocorreria no primeiro semestre de 2021. No novo modelo, a CSN ficaria responsável apenas pela “Velha Transnordestina”, leia-se o trecho em construção no Ceará, desobrigando-se da responsabilidade sobre as demais etapas. A outra opção, como muitos apontam no Minfra, seria a saída total da CSN, destacou o portal.

São cerca de 520 quilômetros entre a cidade de Salgueiro e o Porto de Suape. Este é um dos braços mais complexos da Transnordestina. O trecho final entre Belém de Maria e Suape, por exemplo, sequer tem licenciamento ambiental. O trecho em questão, o Recife Sul, é uma das pernas da Transnordestina como maior impacto sobre a população.

Existem também alguns players estrangeiros que têm interesse em participar da obra, mas essas negociações ficam na dependência da definição do contrato em vigor.

Importância da obra

A obra é imprescindível para o Nordeste do Brasil. Isto porque, privilegiar com uma ferrovia uma região menos dotada de ativos infraestruturais produz spill-overs muito maiores do que em regiões mais ricas. Trata-se, portanto, de uma política efetiva para mitigar desiquilíbrios regionais. Além disso, os dados mostram que 90% do que é transportado no Nordeste movimenta-se por meio rodoviário, o que impacta no custo de vida da população.

Novos mercados poderão ser viabilizados com a ferrovia em funcionamento, permitindo a especialização produtiva no interior do Nordeste, possibilitando atividades produtivas em torno de todo o traçado da via férrea, inclusive, com destino ao mercado internacional.

Fontes:
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/08/30/prevista-para-2010-transnordestina-encara-incerteza-apos-r-67-bi-gastos.htm
https://www.agenciainfra.com/blog/presidente-da-valec-anuncia-mais-r-150-milhoes-para-a-obra-da-fiol-2-ainda-neste-ano/
https://www.agenciainfra.com/blog/falta-de-orcamento-trava-velocidade-das-obras-da-fiol-na-bahia/
https://www.agenciainfra.com/blog/dono-da-transnordestina-diz-que-retomara-obra-de-r-67-bilhoes-com-recursos-proprios/
https://relatorioreservado.com.br/assunto/transnordestina/



Por que a logística de transporte é um problema no Brasil?

 13/09/2020 / Artigo / por Edwy Rodrigues e Prof. Igor Pontes


Muitas empresas estão procurando ofertar seus produtos e serviços de modo rápido, barato e melhor que seus concorrentes. No entanto, para que isso aconteça, exige-se uma boa infraestrutura dos modais de transporte, uma vez que eles determinam o tempo de entrega e os custos logísticos.

Um dos maiores problemas no Brasil é a carência de infraestrutura logística de boa qualidade, a qual influencia diretamente no “custo Brasil”. A escassez de infraestruturas logísticas e os chamados “gargalos logísticos”, resultado de excesso de burocracias, ineficiências operacionais e infraestruturas depreciadas, impactam os custos logísticos no país, prejudicam a competitividade e a expansão de várias atividades empresariais. Por exemplo, esse é o caso do e-commerce e do agronegócio.

Portanto, existe um desequilíbrio entre a demanda do mercado consumidor e a capacidade de entrega do setor logístico do país. Um país com uma grande extensão territorial necessita, obrigatoriamente, para o desenvolvimento de sua economia de uma rede de transportes sólida e interligada. Por exemplo, o modal ferroviário exerce um papel fundamental nessa integração nacional. Este modal permite a especialização produtivas em regiões longínquos, além de gerar melhoria do bem-estar social.

                                    Tabela - Países e Ferrovias em Extensão (Km)

                                                            Fonte: index mundi (cia wolrd factbook)

Além da qualidade e da disponibilidade das infraestruturas logísticas existentes no Brasil, também é possível identificar o problema de uma matriz de transporte desequilibrada, o que pode ser chamado de uma matriz “unimodal”, ou seja, com um modal de transporte sobrepondo-se a todos os demais.

Uma matriz de transportes multimodal, inclui todos os modais (aéreo, rodoviário, ferroviário, dutoviário ou marítimo) em proporções semelhantes. Em uma matriz equilibrada, os agentes econômicos possuem a sua disposição todos modais disponíveis para efetuarem escolha conforme as condições de mercado e características do transporte (peso, urgência, frete, características especiais da carga...).

No Brasil, a partir dos anos 1950 o país escolheu priorizar um modal em detrimento de todos os outros. Foi a estratégia realizada para desenvolver o parque industrial automobilístico nacional. Deste modo, saímos de uma matriz equilibrada, par a situação que se concretizou na década de 60 e permanece até os dias de hoje.

Os dados apontam que o transporte rodoviário é responsável por aproximadamente 70% de todo o transporte de carga no país. Os problemas gerados a partir de uma matriz desequilibrada são inúmeros e, vão desde fretes mais caros, passando por questões ambientais e de acidentes, até chegar a custo de vida mais elevado em regiões mais distantes do centro produtivo sudeste do país.

 Tabela - Participação de cada modal de transporte sobre o total de T/Km de carga transportada

Fonte: DNER


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Coronavírus revela a fragilidade e dependência das cadeias de suprimento

 


O trem de carga entre Wuhan, na China, e Dourges, em Pas-de-Calais (França), não funciona desde o final de janeiro.
Foto: Decathlon

 

Igor Pontes, Doutor em Logística
Professor da Faculdade CDL
Co-fundador da LogInov

  Coronavírus revela a fragilidade e dependência das cadeias de suprimento

 A revolução logística ocorrida nos últimos anos, acompanhada de uma abordagem global e sistêmica da gestão da cadeia de suprimentos (SCM), agora é colocada a prova pelo vírus Covid-19. De fato, muitos modelos de logística podem ser prejudicados, como é o caso dos trens que transportam, desde 2017, centenas de milhares de artigos esportivos da empresa Decathlon entre Wuhan, o berço do referido vírus, e a cidade de Dourges (Pas- de-Calais), na França.

Com essa epidemia, podemos medir até que ponto as cadeias produtivas estão interligadas, ou seja, a verdadeira amplitude da “logistização do mundo”, como define a professora Nathalie Fabbes-Coste do Centro de Pesquisa em Transporte e Logística (Cret-Log) da Universidade Aix-Marselha (AMU). Esse fato coloca em questão a soberania econômica das nações, mas também revela questões ambientais como matérias-primas que fazem um “vai e vem”, até se tornarem um produto acabado. Um desses exemplo, é petróleo exportado para a China (60%) e o combustível vendido nas bombas no Brasil.

Ao se integrar o preço da tonelada de carbono em uma produção, pode se tornar racional deslocar a produção para perto de casa. A Comissão Europeia está trabalhando no projeto “green deal” (acordo verde) para que o preço por tonelada de carbono seja incluído no preço da fabricação simples.

Neste momento, são os sistemas de suprimento globalizados que revelam suas fraquezas. Essa epidemia põe em questão as inúmeras cadeias de valor dependentes de suprimentos no exterior, é o que destaca o professor Gilles Paché do mesmo centro de pesquisa.

Por outro lado, medidas para limitar a circulação de mercadorias e pessoas produzirão impactos nos dois lados das cadeias de suprimento: no lado dos suprimentos, a ocorrência de rupturas nas cadeias produtivas e; no lado da distribuição, as consequências da redução do consumo dos chineses que pode gerar declínio em praticamente todas as cadeias de produção global.

Em busca de saída para os problemas de abastecimento, as empresas se deparam com o seguinte dilema: esperar que a situação se resolva dentro de algumas semanas? Ou procurar fornecedores alternativos?

Procurar um fornecedor alternativo, às vezes, exige tempo e gera custos adicionais. Na indústria automotiva, pode-se levar mais de um ano para que os fornecedores produzam ferramentas. Para uma peça de avião, são necessários quatro anos para se qualificar como fornecedor. Para outros setores, como de confecção, é muito mais rápido.

Todas as grandes empresas de moda têm fábricas na China. A empresa Inditex, por exemplo, possui mais de 1.866 fábricas no país que colaboram para o grupo. A Zara, uma de suas 8 marcas, possui 425 fornecedores lá. Quanto à sua concorrente H&M, 45% de seus fornecedores são chineses e 44% de suas fábricas estão neste país. No entanto, já é possível verificar uma relocalização de fábricas para Turquia e Marrocos.

Mas antes, cabe outra pergunta: as empresas conhecem sua dependência de fornecedores chineses?

Na maioria das vezes, as empresas não sabem. Isso porque, compram peças de empresas das quais não conhecem os fornecedores. Portanto, o mais indicado seria que os gestores rastreassem suas cadeias de suprimentos e conhecessem a origem dos seus produtos, ou seja, os fornecedores dos seus fornecedores.

A questão da vulnerabilidade das cadeias de suprimentos é, e será cada vez mais, um elemento-chave das reflexões a serem conduzidas no campo da administração de riscos. Identificar fontes de vulnerabilidade para demonstrar maior resiliência certamente será o grande desafio para os próximos anos. Isto porque, as economias modernas tornaram-se reféns, em suas operações, de micro distúrbios internos ou externos. Algo semelhante ocorreu em maio de 2018 na economia brasileira com a greve dos caminheiros.

No Brasil, a empresa Flextronics, fabricante dos celulares da Motorola, programou um revezamento de férias coletivas entre os 3,5 mil funcionários do complexo de Jaguariúna (SP). A operação está reduzida desde o mês passado porque os suprimentos para montagem dos aparelhos vêm da China e o reabastecimento ainda não se normalizou. Já a Samsung, que possui linha de produção em Campinas (SP), chegou a paralisar suas atividades por três dias em fevereiro.

De acordo com Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 42% dos componentes elétricos e eletrônicos utilizados no Brasil são provenientes da China, principal origem das importações, totalizando US$ 7,5 bilhões em 2019. Destaca-se também que os demais países da Ásia foram responsáveis por 38% das importações desses componentes em 2019. Portanto, a região da Ásia representa 80% da origem.

Principal Orgiem das Importações de Componentes Elétricos e Eletrônicos - 2019

Fonte: Abinee/MDIC/Secex

De acordo com a Abinee as dificuldades atuais “acendem um sinal de alerta” não apenas para o setor eletroeletrônico como para toda a indústria brasileira que depende de materiais e componentes provenientes de um único mercado, como a China. Segundo a pesquisa, as empresas devem demorar, em média, cerca de dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China.

Para a consultoria inglesa Drewry, o setor de transporte de contêineres não é tão exposto aos problemas de coronavírus quanto os setores de companhias aéreas ou de turismo, mas o impacto a curto prazo é aparente. Uma queda de 30% no volume de contêineres na China significa uma redução de 9% no volume global de contêineres. As transportadoras marítimas cancelaram cerca de 105 travessias nas rotas da Ásia para as regiões da América do Norte e Europa em fevereiro. Este cancelamento representa um déficit de receita de aproximadamente US$ 1 bilhão (105 x 10.000 TEUs x US$ 1.000), dos quais uma parte será composta posteriormente, mas os danos a curto prazo nos lucros das transportadoras são amplos.

A indústria farmacêutica europeia apresenta um problema semelhante, uma vez que 80% dos princípios ativos usados na composição de medicamentos são originários da China. Sobre essa problemática, a secretária do Ministério da Economia da França, Agnès Runacher, lançou uma missão sobre os riscos de escassez de medicamentos no país e na Europa. De acordo com ela, foram estabelecidas metas para recuperar a soberania em áreas estratégicas. Existe uma política de reconquista industrial. Por exemplo, a empresa de medicamentos Sanofi almeja se tornar uma líder europeia em princípios ativos. Outras industriais devem se juntar neste projeto.

Para Runacher, a transformação para a fábrica do futuro, que é mais automatizada e personalizada, possibilita prever realocações, ainda mais com o aumento dos custos na Ásia. Assim, a França tem conseguido recriar empregos industriais nos últimos três anos. A tendência é tornar séries menores e mais próximas dos mercados, ou seja, a aplicação pura dos conceitos de just-in-time. O modelo de produção dominante das últimas décadas, com uma grande fábrica produzindo grandes volumes com o menor custo possível, passou a ser questionada.

Esperava-se que a globalização e os avanços nas tecnologias aplicadas a logística possibilitariam mais liberdade e flexibilidade para as cadeias de suprimento, introduzindo a racionalidade no controle de fluxo. Ou que os padrões de tráfego estariam perfeitamente parametrizados para funcionarem de forma eficaz, possibilitando redução de custos e atrasos, atingindo mercados consumidores cada vez mais distantes.

E neste momento, o aparecimento do vírus Covid-19 demonstra uma fragilidade inesperada das cadeias de suprimentos globalizadas, a qual expõe as consequências das escolhas industriais que acabam ameaçando o estilo de vida e consumo. Portanto, seja em nível global ou local, a paralisia das cadeias de suprimentos representa uma ameaça constante para as empresas e, mais amplamente, para as sociedades.

Referências:
L’épidémie de coronavirus révèle à quel point les chaînes de production sont imbriquées. https://www.la-croix.com/Debats/Forum-et-debats/Lepidemie-coronavirus-revele-quel-point-chaines-production-sont-imbriquees-2020-02-26-1201080550
Decathlon dossiers de presse. https://www.decathlon.media/shared/dossiers-presse/pdfs/dp_trainvf_luowt4eb.pdf
Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee. http://www.abinee.org.br/noticias/com183.htm
Coronavirus to cut multipurpose cargo demand growth prospects. https://www.drewry.co.uk/maritime-research-opinion-browser/maritime-research-opinions
El coronavirus traslada la fábrica española textil en China a Turquía y Marruecos. https://www.elmundo.es/economia/ahorro-y-consumo/2020/02/15/5e4533b8fc6c83ff098b463f.html

Coronavirus : un révélateur de la fragilité du système logistique mondial. https://theconversation.com/coronavirus-un-revelateur-de-la-fragilite-du-systeme-logistique-mondial-132780

Fabricante da Motorola mantém operação reduzida por conta de coronavírus e reveza férias coletivas. https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2020/03/02/fabricante-da-motorola-mantem-operacao-reduzida-por-conta-de-coronavirus-e-reveza-ferias-coletivas.ghtml