domingo, 28 de maio de 2023

Ferrovia Transnordestina - Parte II

 

Ferrovia Transnordestina, atualizações e mudança de traçado


Em junho de 2006, inicia-se no município de Missão Velha (CE) a construção que tinha previsão de finalização em 2010. Considerada como uma solução integrada para atender o Nordeste, sobretudo com foco na indústria mineral e no agronegócio.

De acordo com a Transnordestina Logística S.A (TLSA), concessionária responsável pela obra, a ferrovia terá capacidade para transportar 30 milhões de toneladas por ano, com destaque para granéis sólidos (minério e grãos).

A Transnordestina representará um novo marco no escoamento de produtos da região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), diminuindo o custo logístico e tornando os produtos brasileiros competitivos no mercado mundial.

Com o atual Governo Federal empossado em 2023, que vê a conclusão da obra como fundamental para a região, a previsão é que a Transnordestina tenha grande parte das obras terminadas no final de 2027, começando sua operação.


Histórico

A primeira cautelar, expedida em 2016, proibiu a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias; o Finor; o FNE; o FDNE; BNDES; e o BNDESPar a destinarem recursos, a qualquer título, para as obras de construção da ferrovia Nova Transnordestina (Malha II) ou para a concessionária TLSA. A cautelar foi revogada logo em seguida, em razão da apresentação dos projetos executivo e orçamentário.

Em 2017, o Tribunal de Contas da União (TCU) voltou a expedir cautelar às mesmas instituições e com o mesmo objetivo devido ao risco de prejuízos ao erário, detectado por nova análise dos auditores. A liberação de recursos ficou condicionada à apresentação de todos os elementos dos projetos solicitados pela ANTT à TLSA, incluindo os estudos geotécnicos.

Outra exigência feita pelo Tribunal foi a validação, pela agência reguladora, das alterações do projeto e a definição do respectivo orçamento.

Parte das irregularidades encontradas pelo TCU foram superadas em 2020, quando o Ministério da Infraestrutura, a ANTT e a concessionária entraram em acordo. Nessa época, estudo técnico elaborado por empresa de consultoria apontou que a operação parcial da ferrovia em um menor espaço de tempo e com menores investimentos de capital (Capex) traria evidentes benefícios ao país, dada a importância do empreendimento para a sociedade brasileira.

Novas Diretrizes

Em razão desses estudos e do avanço da negociação entre as partes, o TCU, em 2022, revogou a medida cautelar vigente desde 2017 e proferiu nova cautelar, em menor extensão, mantendo a proibição de aportes de recursos na Transnordestina pelo Ministério da Infraestrutura, ANTT, Valec (Infra S.A). Na ocasião, o TCU fixou prazo de 120 dias para que a ANTT pactuasse com a TLSA um novo cronograma para a realização das obras, prevendo a eventual retomada de aportes públicos, com a definição de prazos e de sanções no caso de descumprimento dos termos pactuados.

Ao fim do prazo concedido, a TLSA e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) celebraram, em 23 de dezembro de 2022, um novo acordo por meio de aditivo contratual, revisado e referendado pelo plenário do TCU, que possibilita à TLSA avançar com as obras de construção da ferrovia em um novo traçado com extensão de 1.209 km, dos quais 608 no Ceará, 395 no Piauí e 206 no Pernambuco.

O tribunal também ampliou para 2029 o prazo final para conclusão dos 300 quilômetros restantes das obras.



O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) será o responsável pela modelagem de um novo funding para financiamento das obras da ferrovia. Uma das propostas é o uso de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e da recompra de cotas do Fundos de Investimento do Nordeste (Finor) com esse objetivo. De acordo com o ministro Waldez Góes da pasta, em reunião com os governadores em fevereiro de 2023 em Brasília, afirmou que “o Governo Federal vai fazer o possível para que o projeto da ferrovia seja garantido por inteiro”.

Já foram aplicados R$ 7 bilhões. O restante está sendo estruturado entre a TLSA, o acionista CSN e o Governo Federal, visando finalizar e colocar em operação a ferrovia. A Ferrovia já conta com um financiamento aprovado de pouco mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 234 milhões do Finor e R$ 811 milhões do FDNE. A utilização dos recursos estava suspensa pelo Tribunal de Contas da União desde 2017, mas foi autorizada em julho do ano passado.

Para completar o orçamento necessário, está prevista a injeção de R$ 1 bilhão realizada pelos acionistas e pelo menos mais R$ 2,5 bilhões através do FNDE. No entanto, a participação dos acionistas ainda é uma incógnita, já que a Valec, estatal federal de ferrovias, saiu do projeto. O BNDES é um dos possíveis substitutos da Valec nessa posição.

Composição Acionária da TLSA



O secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, Eduardo Tavares, destaca que “continua na missão de estruturar a nova proposta, em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e também articular com a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e o Banco do Nordeste para que sejam liberadas as operações já contratadas pela concessionária junto aos Fundos”.

O que já foi feito?

Atualmente, há 815 km de ferrovia concluída, dos quais 190 no trecho de Pernambuco, a ser devolvido ao poder concedente. Em 2022, foram construídos 215 km de ferrovia, dos quais 165 no Piauí e 50 no Ceará (lote MVP01 – ver mapa acima). No Ceará, há 136 km totalmente executados e outros 100 km em obras de infraestrutura (lotes MVP02 e MVP03, entre Lavras da Mangabeira e Acopiara), que devem ser concluídos até o final de 2023. O trecho do Ceará, que fará a conexão do Piauí com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, é o foco da fase 1 do projeto neste novo plano refletido no aditivo assinado em dezembro.

Expectativa

O objetivo com a ferrovia é transformar a região em polo exportador de minério de ferro e conectar, por trilhos, o sertão e o mar. Outro ponto importante é o potencial de indução de desenvolvimento regional e integração que essa ferrovia tem. Em vários pontos, ela se aproxima da Transposição do Rio São Francisco, além da transição com a Transamazônica, um ponto estratégico para a região e que pode viabilizar o escoamento de grãos e de outros produtos que não só o minério.

A expectativa agora é a aprovação da nova proposta de estruturação dos aportes de recursos oriundos dos fundos constitucionais.

Fonte:

https://www.trendsce.com.br/2023/02/20/conclusao-das-obras-da-transnordestina-esta-prevista-para-2027/?fbclid=PAAaYzVJ4UJb1PGf3BU37-tJ4lJLZfsmns89wZDXkLp_T-MFtLF55qswhrYMo

https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/jamildo/2023/02/15183106-tcu-ve-irregularidades-nos-contratos-para-construcao-e-exploracao-da-ferrovia-nova-transnordestina.html

https://www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/midr-estrutura-novo-modelo-de-financiamento-para-finalizar-300-km-restantes-da-ferrovia-transnordestina

https://www.economicnewsbrasil.com.br/2023/03/27/transnordestina-quer-entregar-ferrovia-entre-o-porto-do-pecem-e-o-piaui-ate-2026/

https://www.csn.com.br/quem-somos/grupo-csn/tlsa/

 

Projeções do setor ferroviário no Brasil

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/projecao-de-investimentos-privados-no-setor-ferroviario-ultrapassa-r-170-bi-mostram-dados-da-antt/

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