Novo
na política seria aumentar o imposto dos ricos
Matéria publicada no site Carta Maior no dia 17/10/2013 por Paulo Nogueira
Nos últimos 30 anos, sob o impulso de Reagan num lado do Atlântico e Thatcher no outro, o chamado “1%”, para usar a expressão consagrada pelo movimento Ocupe Wall St, foi objeto de um favorecimento amplo, abjeto e descarado.
Os protestos que se espalharam globo afora nos últimos anos foram um potente, severo, claro sinal de que os “99%” chegaram ao limite da paciência. Não há iniquidade que possa perdurar indefinidamente sem choques sociais ao fim dos quais – para lembrarmos um caso exemplar, o da França de 1789 – cabeças privilegiadas podem terminar de olhos esbugalhados num cesto.
O Nobel da Economia de 2013, Robert Schiller, falou disso recentemente. Schiller disse temer pela escalada mundial da desigualdade no futuro, e afirmou esperar que os governos ajam quanto antes para evitar isso. Basicamente, aumentando o imposto dos ricos. “Não para que os ricos não fiquem ricos”, disse ele, “mas para que as coisas não se tornem malucas demais.”
Bem, enquanto isso, no Brasil, onde este tema – o da desigualdade – deveria estar no topo do topo da agenda nacional, dada a magnitude da iniquidade nacional, os pretensos candidatos à presidência em 2014 passam ao largo do debate como se vivessem na Escandinávia.
É desanimador, visto que falar, falar e ainda falar no horror da desigualdade é vital para que se firme um consenso na sociedade de que é preciso dar um basta – e rápido – a ela.
Recentemente, Serra listou num artigo oito desafios para o futuro presidente, ou presidenta. E conseguiu não incluir a desigualdade entre eles. Vê-se, por aí, a formidável desconexão entre Serra – e o PSSB – e a realidade como ela é.
Considere agora Marina. Quantas vezes, desde que foi anunciada a aliança com Eduardo Campos, ela usou o jogo de palavra “programático e pragmático” – algo que, a rigor, não significa nada? E na questão da iniquidade, quanto ela tocou? E em aumentar o imposto dos ricos?
Não adianta falar em “nova política”, como Marina vem fazendo, à base de embalagens e frases feitas – mas sem conteúdo, sem ideias que façam pensar.
Recentemente, passou pelo Brasil um ex-prefeito inovador de Bogotá, Enrique Peñalosa. Você ouve Peñalosa e diz: “Esse cara tem ideias”. No campo da mobilidade urbana, por exemplo, Peñalosa tem a seguinte definição: “Um ônibus com 100 pessoas que passe por um carro engarrafado é democracia.” Um conceito simples como este pode promover uma revolução em mobilidade urbana – o que de fato aconteceu sob Peñalosa em Bogotá.
O novo não é novo porque alguém diz que é novo. Não basta falar. O novo é novo porque, no campo das coisas concretas, rompe com o velho.
Os protestos de junho mostraram que os brasileiros querem algo novo na política, capaz de transformar o Brasil numa sociedade justa em regime de urgência.
Houve avanços nos últimos dez anos, sob o PT? Claro. Mas a baixa velocidade desses avanços está dramaticamente exposta em coisas como o tratamento dispensado aos índios, a forma como casas de pobres foram removidas para obras da Copa e o desaparecimento de tantos Amarildos.
Novo mesmo, na política nacional, seria alguém falar, como o Nobel Schiller, em aumentar o imposto dos ricos – tanto mais num país em que a Globo é flagrada numa sonegação documentada e bilionária, relativa à compra dos direitos da Copa de 2002, e nada acontece.
Enquanto alguém não disser isso, teremos a velha política, e com ela velhos privilégios – mesmo que os candidatos a chamem, numa jogada de marketing, de nova política.
O termo desigualdade, desde sempre, é muito relevante em todo mundo. Sendo um problema que afeta a maioria dos países, principalmente os menos desenvolvidos. Isso se dá principalmente pela distribuição desigual de renda de um país, mas também existem outros fatores, como a má formação educacional e o investimento ineficiente de um país em áreas sociais.
ResponderExcluirNo Brasil a questão da desigualdade é cada vez mais contestada, principalmente em ano que antecede uma eleição política. Geralmente, todos esses políticos sabem das diversas conseqüências da desigualdade social e econômica, como: a marginalização de parte da sociedade, o retardamento no progresso da economia do país, a pobreza e o crescimento da criminalidade e da violência. Mas, porque será que esse assunto não é colocado em pauta? Onde estão as propostas para tal fim? Será que isso, deve-se ao fato que, nosso país “ama” os ricos?
Várias são as respostas e concepções para tal fim, porém seria de suma importância que o governo brasileiro “seguisse” a proposta que o economista americano, Shiller propôs, afirmando que: para evitar a desigualdade mundial, seria necessário que o governo aumentasse o imposto dos ricos. Amenizando assim, o problema da desigualdade.
Boa reflexão Arthur! Resta saber se a proposta do nobel de economia foi formulada pensado nos mais pobres ou na manutenção do status quo? Em outras palavras, a questão é saber se o intuito é formular políticas sérias ou amenizar os efeitos da desigualdade oferecendo esmolas, para que os mais ricos possam continuar com a cabeça sobre o corpo?
ExcluirO que o Nobel de Economia tem haver com as desigualdades no Brasil?
ResponderExcluirAs pessoas precisam reconhecer que o país pertence ao povo, e não a uma minoria. E nós temos que evitar que algumas pessoas desenvolvam um sentimento de posse sobre o país.
Os protestos de junho mostraram que os brasileiros querem algo novo na política, capaz de transformar o Brasil numa sociedade justa em regime de urgência.
Novo mesmo, na política nacional, seria alguém falar, como o Nobel Schiller, em aumentar o imposto dos ricos – tanto mais num país em que a Globo é flagrada numa sonegação documentada e bilionária, relativa à compra dos direitos da Copa de 2002, e nada acontece. O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para se tornar uma sociedade justa, mas na minha opinião esse processo de mudanças já começou com os protestos do povo nas ruas reivindicando, melhoria na saúde, educação, transportes e segurança, e não uma Copa do Mundo organizada para ricos (PADRÃO FIFA).
Flaviano Correia de Araujo.
Muito bom seu comentário Flaviano! Será que o povo acordou mesmo? Bem, ficarei na torcida, mas não de braços cruzados! Que esse seja o primeiro de muitos protestos, de muitas mudanças, principalmente no campo da ética, da cidadania...
ExcluirDesiguais são os nosso pensamentos, desigual também é a nossa economia. Quem pode dizer o que é igual? Alguns estão lutando pelos seus direitos nas ruas, outros estão em casa vendo pelo televisor aqueles que se manifestam. Todos querem a igualdade, falam sobre o assunto, mas será se a maioria está lutando por isso? Aumentar os impostos dos ricos só levaria mais dinheiro para os bolsos dos mesmos ricos. Se os ricos estão na política tomando conta do dinheiro social de forma tão particular e dele tirando seu proveito como já foi comprovado tantas vezes. Será se a quantidade de impostos arrecadados já não é suficiente para melhorar a condição de vida dos menos favorecidos? Policiar os investimentos de gastos públicos não seria uma política melhor que punir os mais ricos?
ResponderExcluirVocê tem razão Pâmela, principalmente tomando como exemplo o caso brasileiro, que tem problemas de má distribuição de renda associado com o problema da corrupção. O resultado são as desigualdades reginais, como vimos nas aulas de Economia Regional. Mas, é um fato também que o Brasil, precisa de programas de políticas de desenvolvimento regional, que podem ser traduzidos como importantes ferramentas de distribuição de renda. Outro fato, é que segundos especialistas, todas os programas de distribuição de renda via transferências não correspondem a 1% do PIB. Olhando por esse prisma, vale corroborar com a proposta do economista Schiller.
ExcluirNo Brasil os ricos são blindados , porém foi com um acréscimo no imposto de renda que se deu origem ão BNDE , para na investir na industrialização e outras areas , por que de qualquer forma viriam lucros em curto prazo e continuaria as concentrações de renda como temos até hoje .
ResponderExcluirPor que hoje não colocam a desigualdades em prioridades como disse Serra ? Por que o dinheiro circularia dentro da economia e voltariam como lucros normais , e não exorbitantes como numa industria . Pois não possui rentabilidade a curto prazo, somente despesas que a longo prazo se tornaria em educação e desenvolvimento para o pais , se fosse tomada tal atitude como a de Schiller, logo surgiria denuncias de comunismo quem sabe não implicaria em uma nova ditadura militar ou algo semelhante (acho que exagerei) .
Resumindo : Se fosse para benefícios próprios teriam feito a muito tempo . Ops . seria antítese pois já citei o exemplo do BNDE
contudo estou muito esperançoso com as promessas do pre-sal ai fica a duvida ?
Esse termo -desigualdade- com o passar dos anos vem sendo empurrada pela barriga, como citado no texto, os discursos dos candidatos são textos feitos, decorados em belas palavras mas nada posto em ação.
ResponderExcluirÉ desigual para uma pessoa de classe menor pagar o mesmo valor de imposto que uma pessoa de classe bem superior , paga em um produto.
Em meio a tanta desigualdade ainda temos que nos deparar com desvios de dinheiro que são feitos por parlamentares e politicos , dinheiro este que sai do nosso bolso.