sábado, 6 de junho de 2020

A logística do pós-confinamento e a passagem do “no tempo certo” para “no distanciamento certo”

Com os planos de retomada da economia, faz-se necessário refletir sobre as práticas a serem normatizadas no pós-confinamento, sobretudo, como forma de evitar novas ondas de contágio.

Para empresas e instituições, a missão é reinventar uma logística que não atenda apenas aos princípios de just-in-time (no tempo certo). A filosofia de produção idealizada pelo toyotismo, agora, precisará se metamorfosear para um modelo just-in-gap (no distanciamento correto).
Vejamos 4 insights sobre operações com o “distanciamento certo”.
Distanciamento em toda a cadeia produtiva e não apenas em uma etapa
A “nova logística” deve se basear em uma abordagem global do fluxo de circulação de pessoas. Portanto, não faz sentido reduzir o contingente de trabalhadores se nos ônibus e terminais, os passageiros se aglomeram. Uma medida útil, seria modelar as operações de transporte de acordo com esquemas de fluxos de circulação de pessoas. Ou seja, cada setor produtivo liberado poderia assumir horários de entrada diferenciados.
Repensar a produção de bens e serviços
Historicamente, as organizações decidem o que produzir como bens ou serviços e, em seguida, implantam a logística. O desafio é reverter a lógica: adaptar a oferta de produtos e serviços a partir das restrições do distanciamento social. Por exemplo, as empresas poderiam tentar diminuir o tempo médio de permanência de clientes em loja, concentrando-se nos 20% dos produtos que representam 80% da receita. Outra estratégia, seria a venda de produtos que precisam de tempo de preparação apenas com encomenda.
Reconfigurar os ambientes e fazer uso das marcações visuais
O layout dos estabelecimentos precisa admitir o contato mínimo entre as pessoas e evitar ao máximo a criação de filas internamente. Para isso, as novas regras coletivas precisam ser amplamente divulgadas e informadas. As instituições precisam se comunicar claramente. As ferramentas de marcação visual utilizadas pela Toyota são medidas eficientes e de baixo custo.
Atenção especial às áreas de interfaces
Os gargalos logísticos são mais encontrados nas zonas de interface localizadas nos centros de distribuição, rodoviárias, aeroportos, portos, porque estão sob a responsabilidade conjunta de vários atores. Para estabelecer uma nova logística, os atores envolvidos devem garantir transversalmente novas formas de coordenação. 
Façam suas apostas, a mesa do conhecimento em gestão está aberta e oferecendo a todos uma grande oportunidade de se reinventar e inovar!

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A “nova normalidade” moldará os negócios, o consumo e, consequentemente, a logística?

A “nova normalidade” moldando os negócios

Passamos por um momento singular da história da evolução humana. Os desdobramentos e as mutações sociais estão ocorrendo de forma acelerada. Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, estão sendo implementadas em meses ou dias, crescimentos esperados para anos, podem acontecer em semanas.

Os futuristas apontam o fim de uma era! A Covid-19 mudou nossas vidas, não apenas a alteração da rotina, mas transformações profundas. Entender essa nova realidade é se preparar para o futuro. Questionamentos os mais diversos e difusos estão inquietando a todos nós e as organizações. Por exemplo, como ou com que velocidade as empresas devem ou deverão responder e se adequar ao que virá daqui para a frente?

Um novo padrão de convívio social impõe-se. Precisamos começar a idealizar aquilo que vem sendo chamado de “novo normal”, com novas práticas para novos tempos, espaços, condições e sujeitos.

Nesse novo ambiente, serviços como os de “restaurantes fantasmas”, que funcionam só com delivery, entregas sem contato humano do tipo “deixe à minha porta”, coleta de compras nas lojas, horário diferenciado de atendimento de acordo com a idade dos clientes, restrição do número de clientes e funcionários ao mesmo tempo nas lojas, deverão se tornar comuns no nosso dia-a-dia por um bom tempo.

E nesse “Admirável Mundo Novo”, profetizado no romance de Aldous Huxley, sim, nós seremos, necessariamente, mais conectados do que nunca! O comércio eletrônico, mostrou na prática a indissociável relação entre o “on e off”, e passou de tendência para um hábito para muitas famílias.

Definitivamente, as compras on-line não estão mais restritas aos millennials. Cabe, no entanto, algumas reflexões sobre a sustentabilidade desse canal de compra, principalmente, se considerarmos os novos usuários: a experiência é fácil e intuitiva? As compras são personalizadas? O sistema possui capacidade de entrega?

O fenômeno das “compras de pânico” motivada pelo sentimento de medo de desabastecimento das famílias, expôs vários problemas dos sistemas de e-commerce. É consenso entre os varejistas, inclusive os gigantes mundiais, que os sistemas produtivos, tecnológicos e logísticos não estavam calibrados para um pico de demanda inesperada. Os serviços “same day delivery” ou next day delivery” foram todos temporariamente suspensos ao redor do mundo.

Não seria também a hora de tornar outras tendências praticáveis? Que tal os conceitos de compartilhamento, mutualização e lean and agile aplicados aos negócios e, principalmente, a logística? E se o modelo acompanhar pitadas da filosofia ubuntu, da tradição sul-africana, de empatia, humanidade para com os outros...bingo! Bienvenu a “nova normalidade”!