segunda-feira, 14 de setembro de 2020

E a obra da ferrovia Transnordestina?

 13/09/2020 / Artigo / por Janaína Sousa  e Prof. Igor Pontes



Em junho de 2006, foi lançada a construção da ferrovia em cerimônia no município de Missão Velha (CE). A previsão era que em 2010 os trens estivessem nos trilhos, com investimento estimado à época em R$ 4,5 bilhões (R$ 10,8 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA).

O projeto original foi batizado de Nova Transnordestina porque iria não só construir novos trilhos, como recuperar outros que estavam desativados na região. Dos 1.753 mil quilômetros da obra, 1.150 seriam recuperados de ferrovia já existente.

Quando concluída, a obra deve ligar a região produtora de grãos conhecida por Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), aos portos de Suape, em Ipojuca (PE), e de Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE).

Dados da obra

     1.753 km de extensão

     Irá passar por 81 municípios no Piauí, Ceará e Pernambuco

     Terá capacidade de transportar 30 milhões de toneladas por ano

Mapa – Traçado da Ferrovia Transnordestina


Trechos executados

     Salgueiro-Missão Velha 100%

     Trindade-Salgueiro - 100%


Histórico

Em 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançava, em cerimônia em Missão Velha (CE). A previsão era que em 2010 os trens estivessem nos trilhos, com investimento estimado à época em R$ 4,5 bilhões (R$ 10,8 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA).

Em 2010, a obra atinge pico, com 10 mil trabalhadores espalhados pelos trechos.

Em 2013, é assinado o Acordo de Acionistas e Acordo de Investimentos, que fixa em R$ 7,5 bilhões o valor da obra; custos excedentes deveriam ser bancados pelo parceiro privado.

Em 2014, é realizado a assinatura do Contrato de Concessão da Transnordestina, colocando a construção como obrigação da concessionária e indicando prazos. Obra começa a apresentar dificuldades e redução do ritmo, e CFN alega falta de recursos.

Em 2017, ocorre a última liberação de recursos pelo Finor (R$ 152 milhões). O TCU suspende os repasses de recursos públicos por meio do Acórdão Nº 67.

Em 2018, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) fixou prazos para que a TLSA (Transnordestina Logística S/A) — que tem como acionista controlador a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) — corrigisse os problemas com atrasos na execução de obras.

Em setembro de 2019, parte as obras foram retomadas no trecho entre Piauí e Ceará com recursos da CSN, mas seguem paradas em Pernambuco. A perspectiva de investimentos é da ordem de R$ 200 milhões, valor insatisfatório para finalizar a obra.

Em 2020, e com R$ 6,7 bilhões investidos, a Transnordestina tem 53% do projeto finalizado, sem prazo para sua conclusão. O investimento total da obra está hoje estimado em R$ 11,2 bilhões.

O futuro 

A ANTT propôs que à União declare a caducidade do contrato de concessão da ferrovia da TLSA. Na prática, a agência reguladora quer que um novo contrato seja efetuado. Como é uma recomendação, a decisão está com o Ministério de Infraestrutura.

O presidente da Valec, André Kuhn, informou em live ao Portal Infra que irá contratar uma consultoria para criar uma alternativa a proposta de caducidade da ferrovia. O plano deve ser entregue no início de 2021 ao Ministério de Infraestrutura.

De acordo com o portal Relatório Reservado, o Ministério da Infraestrutura estava planejando lançar, ainda neste ano, o edital de licitação do trecho entre a cidade de Salgueiro (PE) até o Porto de Suape. O leilão ocorreria no primeiro semestre de 2021. No novo modelo, a CSN ficaria responsável apenas pela “Velha Transnordestina”, leia-se o trecho em construção no Ceará, desobrigando-se da responsabilidade sobre as demais etapas. A outra opção, como muitos apontam no Minfra, seria a saída total da CSN, destacou o portal.

São cerca de 520 quilômetros entre a cidade de Salgueiro e o Porto de Suape. Este é um dos braços mais complexos da Transnordestina. O trecho final entre Belém de Maria e Suape, por exemplo, sequer tem licenciamento ambiental. O trecho em questão, o Recife Sul, é uma das pernas da Transnordestina como maior impacto sobre a população.

Existem também alguns players estrangeiros que têm interesse em participar da obra, mas essas negociações ficam na dependência da definição do contrato em vigor.

Importância da obra

A obra é imprescindível para o Nordeste do Brasil. Isto porque, privilegiar com uma ferrovia uma região menos dotada de ativos infraestruturais produz spill-overs muito maiores do que em regiões mais ricas. Trata-se, portanto, de uma política efetiva para mitigar desiquilíbrios regionais. Além disso, os dados mostram que 90% do que é transportado no Nordeste movimenta-se por meio rodoviário, o que impacta no custo de vida da população.

Novos mercados poderão ser viabilizados com a ferrovia em funcionamento, permitindo a especialização produtiva no interior do Nordeste, possibilitando atividades produtivas em torno de todo o traçado da via férrea, inclusive, com destino ao mercado internacional.

Fontes:
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/08/30/prevista-para-2010-transnordestina-encara-incerteza-apos-r-67-bi-gastos.htm
https://www.agenciainfra.com/blog/presidente-da-valec-anuncia-mais-r-150-milhoes-para-a-obra-da-fiol-2-ainda-neste-ano/
https://www.agenciainfra.com/blog/falta-de-orcamento-trava-velocidade-das-obras-da-fiol-na-bahia/
https://www.agenciainfra.com/blog/dono-da-transnordestina-diz-que-retomara-obra-de-r-67-bilhoes-com-recursos-proprios/
https://relatorioreservado.com.br/assunto/transnordestina/



Por que a logística de transporte é um problema no Brasil?

 13/09/2020 / Artigo / por Edwy Rodrigues e Prof. Igor Pontes


Muitas empresas estão procurando ofertar seus produtos e serviços de modo rápido, barato e melhor que seus concorrentes. No entanto, para que isso aconteça, exige-se uma boa infraestrutura dos modais de transporte, uma vez que eles determinam o tempo de entrega e os custos logísticos.

Um dos maiores problemas no Brasil é a carência de infraestrutura logística de boa qualidade, a qual influencia diretamente no “custo Brasil”. A escassez de infraestruturas logísticas e os chamados “gargalos logísticos”, resultado de excesso de burocracias, ineficiências operacionais e infraestruturas depreciadas, impactam os custos logísticos no país, prejudicam a competitividade e a expansão de várias atividades empresariais. Por exemplo, esse é o caso do e-commerce e do agronegócio.

Portanto, existe um desequilíbrio entre a demanda do mercado consumidor e a capacidade de entrega do setor logístico do país. Um país com uma grande extensão territorial necessita, obrigatoriamente, para o desenvolvimento de sua economia de uma rede de transportes sólida e interligada. Por exemplo, o modal ferroviário exerce um papel fundamental nessa integração nacional. Este modal permite a especialização produtivas em regiões longínquos, além de gerar melhoria do bem-estar social.

                                    Tabela - Países e Ferrovias em Extensão (Km)

                                                            Fonte: index mundi (cia wolrd factbook)

Além da qualidade e da disponibilidade das infraestruturas logísticas existentes no Brasil, também é possível identificar o problema de uma matriz de transporte desequilibrada, o que pode ser chamado de uma matriz “unimodal”, ou seja, com um modal de transporte sobrepondo-se a todos os demais.

Uma matriz de transportes multimodal, inclui todos os modais (aéreo, rodoviário, ferroviário, dutoviário ou marítimo) em proporções semelhantes. Em uma matriz equilibrada, os agentes econômicos possuem a sua disposição todos modais disponíveis para efetuarem escolha conforme as condições de mercado e características do transporte (peso, urgência, frete, características especiais da carga...).

No Brasil, a partir dos anos 1950 o país escolheu priorizar um modal em detrimento de todos os outros. Foi a estratégia realizada para desenvolver o parque industrial automobilístico nacional. Deste modo, saímos de uma matriz equilibrada, par a situação que se concretizou na década de 60 e permanece até os dias de hoje.

Os dados apontam que o transporte rodoviário é responsável por aproximadamente 70% de todo o transporte de carga no país. Os problemas gerados a partir de uma matriz desequilibrada são inúmeros e, vão desde fretes mais caros, passando por questões ambientais e de acidentes, até chegar a custo de vida mais elevado em regiões mais distantes do centro produtivo sudeste do país.

 Tabela - Participação de cada modal de transporte sobre o total de T/Km de carga transportada

Fonte: DNER


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Coronavírus revela a fragilidade e dependência das cadeias de suprimento

 


O trem de carga entre Wuhan, na China, e Dourges, em Pas-de-Calais (França), não funciona desde o final de janeiro.
Foto: Decathlon

 

Igor Pontes, Doutor em Logística
Professor da Faculdade CDL
Co-fundador da LogInov

  Coronavírus revela a fragilidade e dependência das cadeias de suprimento

 A revolução logística ocorrida nos últimos anos, acompanhada de uma abordagem global e sistêmica da gestão da cadeia de suprimentos (SCM), agora é colocada a prova pelo vírus Covid-19. De fato, muitos modelos de logística podem ser prejudicados, como é o caso dos trens que transportam, desde 2017, centenas de milhares de artigos esportivos da empresa Decathlon entre Wuhan, o berço do referido vírus, e a cidade de Dourges (Pas- de-Calais), na França.

Com essa epidemia, podemos medir até que ponto as cadeias produtivas estão interligadas, ou seja, a verdadeira amplitude da “logistização do mundo”, como define a professora Nathalie Fabbes-Coste do Centro de Pesquisa em Transporte e Logística (Cret-Log) da Universidade Aix-Marselha (AMU). Esse fato coloca em questão a soberania econômica das nações, mas também revela questões ambientais como matérias-primas que fazem um “vai e vem”, até se tornarem um produto acabado. Um desses exemplo, é petróleo exportado para a China (60%) e o combustível vendido nas bombas no Brasil.

Ao se integrar o preço da tonelada de carbono em uma produção, pode se tornar racional deslocar a produção para perto de casa. A Comissão Europeia está trabalhando no projeto “green deal” (acordo verde) para que o preço por tonelada de carbono seja incluído no preço da fabricação simples.

Neste momento, são os sistemas de suprimento globalizados que revelam suas fraquezas. Essa epidemia põe em questão as inúmeras cadeias de valor dependentes de suprimentos no exterior, é o que destaca o professor Gilles Paché do mesmo centro de pesquisa.

Por outro lado, medidas para limitar a circulação de mercadorias e pessoas produzirão impactos nos dois lados das cadeias de suprimento: no lado dos suprimentos, a ocorrência de rupturas nas cadeias produtivas e; no lado da distribuição, as consequências da redução do consumo dos chineses que pode gerar declínio em praticamente todas as cadeias de produção global.

Em busca de saída para os problemas de abastecimento, as empresas se deparam com o seguinte dilema: esperar que a situação se resolva dentro de algumas semanas? Ou procurar fornecedores alternativos?

Procurar um fornecedor alternativo, às vezes, exige tempo e gera custos adicionais. Na indústria automotiva, pode-se levar mais de um ano para que os fornecedores produzam ferramentas. Para uma peça de avião, são necessários quatro anos para se qualificar como fornecedor. Para outros setores, como de confecção, é muito mais rápido.

Todas as grandes empresas de moda têm fábricas na China. A empresa Inditex, por exemplo, possui mais de 1.866 fábricas no país que colaboram para o grupo. A Zara, uma de suas 8 marcas, possui 425 fornecedores lá. Quanto à sua concorrente H&M, 45% de seus fornecedores são chineses e 44% de suas fábricas estão neste país. No entanto, já é possível verificar uma relocalização de fábricas para Turquia e Marrocos.

Mas antes, cabe outra pergunta: as empresas conhecem sua dependência de fornecedores chineses?

Na maioria das vezes, as empresas não sabem. Isso porque, compram peças de empresas das quais não conhecem os fornecedores. Portanto, o mais indicado seria que os gestores rastreassem suas cadeias de suprimentos e conhecessem a origem dos seus produtos, ou seja, os fornecedores dos seus fornecedores.

A questão da vulnerabilidade das cadeias de suprimentos é, e será cada vez mais, um elemento-chave das reflexões a serem conduzidas no campo da administração de riscos. Identificar fontes de vulnerabilidade para demonstrar maior resiliência certamente será o grande desafio para os próximos anos. Isto porque, as economias modernas tornaram-se reféns, em suas operações, de micro distúrbios internos ou externos. Algo semelhante ocorreu em maio de 2018 na economia brasileira com a greve dos caminheiros.

No Brasil, a empresa Flextronics, fabricante dos celulares da Motorola, programou um revezamento de férias coletivas entre os 3,5 mil funcionários do complexo de Jaguariúna (SP). A operação está reduzida desde o mês passado porque os suprimentos para montagem dos aparelhos vêm da China e o reabastecimento ainda não se normalizou. Já a Samsung, que possui linha de produção em Campinas (SP), chegou a paralisar suas atividades por três dias em fevereiro.

De acordo com Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 42% dos componentes elétricos e eletrônicos utilizados no Brasil são provenientes da China, principal origem das importações, totalizando US$ 7,5 bilhões em 2019. Destaca-se também que os demais países da Ásia foram responsáveis por 38% das importações desses componentes em 2019. Portanto, a região da Ásia representa 80% da origem.

Principal Orgiem das Importações de Componentes Elétricos e Eletrônicos - 2019

Fonte: Abinee/MDIC/Secex

De acordo com a Abinee as dificuldades atuais “acendem um sinal de alerta” não apenas para o setor eletroeletrônico como para toda a indústria brasileira que depende de materiais e componentes provenientes de um único mercado, como a China. Segundo a pesquisa, as empresas devem demorar, em média, cerca de dois meses para normalizar o ritmo da produção, após a retomada dos embarques de materiais, componentes e insumos da China.

Para a consultoria inglesa Drewry, o setor de transporte de contêineres não é tão exposto aos problemas de coronavírus quanto os setores de companhias aéreas ou de turismo, mas o impacto a curto prazo é aparente. Uma queda de 30% no volume de contêineres na China significa uma redução de 9% no volume global de contêineres. As transportadoras marítimas cancelaram cerca de 105 travessias nas rotas da Ásia para as regiões da América do Norte e Europa em fevereiro. Este cancelamento representa um déficit de receita de aproximadamente US$ 1 bilhão (105 x 10.000 TEUs x US$ 1.000), dos quais uma parte será composta posteriormente, mas os danos a curto prazo nos lucros das transportadoras são amplos.

A indústria farmacêutica europeia apresenta um problema semelhante, uma vez que 80% dos princípios ativos usados na composição de medicamentos são originários da China. Sobre essa problemática, a secretária do Ministério da Economia da França, Agnès Runacher, lançou uma missão sobre os riscos de escassez de medicamentos no país e na Europa. De acordo com ela, foram estabelecidas metas para recuperar a soberania em áreas estratégicas. Existe uma política de reconquista industrial. Por exemplo, a empresa de medicamentos Sanofi almeja se tornar uma líder europeia em princípios ativos. Outras industriais devem se juntar neste projeto.

Para Runacher, a transformação para a fábrica do futuro, que é mais automatizada e personalizada, possibilita prever realocações, ainda mais com o aumento dos custos na Ásia. Assim, a França tem conseguido recriar empregos industriais nos últimos três anos. A tendência é tornar séries menores e mais próximas dos mercados, ou seja, a aplicação pura dos conceitos de just-in-time. O modelo de produção dominante das últimas décadas, com uma grande fábrica produzindo grandes volumes com o menor custo possível, passou a ser questionada.

Esperava-se que a globalização e os avanços nas tecnologias aplicadas a logística possibilitariam mais liberdade e flexibilidade para as cadeias de suprimento, introduzindo a racionalidade no controle de fluxo. Ou que os padrões de tráfego estariam perfeitamente parametrizados para funcionarem de forma eficaz, possibilitando redução de custos e atrasos, atingindo mercados consumidores cada vez mais distantes.

E neste momento, o aparecimento do vírus Covid-19 demonstra uma fragilidade inesperada das cadeias de suprimentos globalizadas, a qual expõe as consequências das escolhas industriais que acabam ameaçando o estilo de vida e consumo. Portanto, seja em nível global ou local, a paralisia das cadeias de suprimentos representa uma ameaça constante para as empresas e, mais amplamente, para as sociedades.

Referências:
L’épidémie de coronavirus révèle à quel point les chaînes de production sont imbriquées. https://www.la-croix.com/Debats/Forum-et-debats/Lepidemie-coronavirus-revele-quel-point-chaines-production-sont-imbriquees-2020-02-26-1201080550
Decathlon dossiers de presse. https://www.decathlon.media/shared/dossiers-presse/pdfs/dp_trainvf_luowt4eb.pdf
Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee. http://www.abinee.org.br/noticias/com183.htm
Coronavirus to cut multipurpose cargo demand growth prospects. https://www.drewry.co.uk/maritime-research-opinion-browser/maritime-research-opinions
El coronavirus traslada la fábrica española textil en China a Turquía y Marruecos. https://www.elmundo.es/economia/ahorro-y-consumo/2020/02/15/5e4533b8fc6c83ff098b463f.html

Coronavirus : un révélateur de la fragilité du système logistique mondial. https://theconversation.com/coronavirus-un-revelateur-de-la-fragilite-du-systeme-logistique-mondial-132780

Fabricante da Motorola mantém operação reduzida por conta de coronavírus e reveza férias coletivas. https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2020/03/02/fabricante-da-motorola-mantem-operacao-reduzida-por-conta-de-coronavirus-e-reveza-ferias-coletivas.ghtml



quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Br do Mar

Cabotagem no Brasil

O transporte aquaviário no Brasil responde por apenas 16% da movimentação interna de cargas, sendo 11% por meio da navegação marítima costeira e 5% nas hidrovias. Entre os anos de 2010 e 2018 o modal registrou crescimento de 39,5% em toneladas e carga contêinerizada apresentou expansão de 146% em número de unidades.

As empresas Aliança Navegação e Logística (grupo Maersk; aliança 2M Alliance - Maersk Line e MSC), a Mercosul Line Navegação e Logística (grupo CMA-CGM; aliança Ocean Alliance - Cosco Shipping Lines, CMA-CGM, OOCL e Evergreen) e a Log-In Logística Intermodal, detêm 99% do transporte de contêineres na cabotagem nacional

 

Objetivos do Projeto Br do Mar

- ampliar a oferta e melhorar a qualidade do transporte;

- incentivar a concorrência e a competitividade na prestação do serviço;

- equilibrar a matriz logística brasileira;

- possibilitar o afretamento de embarcação da subsidiária estrangeira;

- valorizar o emprego e qualificação da tripulação brasileira contratada;

- desenvolver as atividades da cadeia de valor da navegação de cabotagem;

- estimular a inovação e desenvolvimento científico do transporte por cabotagem;

- reduzir a complexidade quanto à fiscalização e o custo das operações em relação àquelas praticadas no comércio exterior.

 

PL 3129/2020

O projeto converge com o PL 3129/2020, de autoria da senadora Kátia Abreu (PP-TO), apresentado em junho, que também trouxe propostas para incrementar o afretamento de navios a casco nu e visando afastar entraves para o afretamento a tempo de navios estrangeiros, quando não houver navio nacional para atender a demanda. Segundo a senadora, essas propostas contribuem para aumentar a oferta de navios e dar competitividade do setor. O PL também propõe a eliminação gradativa da cobrança do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) por meio de desoneração fiscal, com renúncia total a partir do quinto ano de vigência. 

 

Críticas

A liberação para o uso de embarcações com bandeiras estrangeiras na cabotagem pode solucionar o problema da falta de oferta de navios e, com isso, impulsionar o setor. No entanto, pode-se estar fomentando a dependência de outras bandeiras, como é a realidade no longo curso.

Para uma nação com relevância mundial na produção agropecuária, mineral e de petróleo, seria apropriado que o transporte marítimo também fosse exercido por empresas nacionais.

Outro ponto de crítica, é que o projeto não empreendeu ações específicas para possibilidade de haver mais players dentro do mercado de cabotagem.

 

Cabotagem no Exterior

Nos Estados Unidos, tramita o projeto de lei H.R.3829, denominada “Energizing American Shipbuilding Act”, exigindo que, até 2041, 15% do total das exportações de GNL por via marítima fossem transportados por embarcações fabricadas no país, com bandeira e tripulação norte-americanas e, até 2033, que o mesmo ocorresse com 10% do total de petróleo bruto exportado.

A Rússia também exige embarcações de bandeira nacional para exportações de petróleo e gás natural no Ártico. Conforme anúncio feito pelo Kremlin em dezembro de 2018.

sábado, 6 de junho de 2020

A logística do pós-confinamento e a passagem do “no tempo certo” para “no distanciamento certo”

Com os planos de retomada da economia, faz-se necessário refletir sobre as práticas a serem normatizadas no pós-confinamento, sobretudo, como forma de evitar novas ondas de contágio.

Para empresas e instituições, a missão é reinventar uma logística que não atenda apenas aos princípios de just-in-time (no tempo certo). A filosofia de produção idealizada pelo toyotismo, agora, precisará se metamorfosear para um modelo just-in-gap (no distanciamento correto).
Vejamos 4 insights sobre operações com o “distanciamento certo”.
Distanciamento em toda a cadeia produtiva e não apenas em uma etapa
A “nova logística” deve se basear em uma abordagem global do fluxo de circulação de pessoas. Portanto, não faz sentido reduzir o contingente de trabalhadores se nos ônibus e terminais, os passageiros se aglomeram. Uma medida útil, seria modelar as operações de transporte de acordo com esquemas de fluxos de circulação de pessoas. Ou seja, cada setor produtivo liberado poderia assumir horários de entrada diferenciados.
Repensar a produção de bens e serviços
Historicamente, as organizações decidem o que produzir como bens ou serviços e, em seguida, implantam a logística. O desafio é reverter a lógica: adaptar a oferta de produtos e serviços a partir das restrições do distanciamento social. Por exemplo, as empresas poderiam tentar diminuir o tempo médio de permanência de clientes em loja, concentrando-se nos 20% dos produtos que representam 80% da receita. Outra estratégia, seria a venda de produtos que precisam de tempo de preparação apenas com encomenda.
Reconfigurar os ambientes e fazer uso das marcações visuais
O layout dos estabelecimentos precisa admitir o contato mínimo entre as pessoas e evitar ao máximo a criação de filas internamente. Para isso, as novas regras coletivas precisam ser amplamente divulgadas e informadas. As instituições precisam se comunicar claramente. As ferramentas de marcação visual utilizadas pela Toyota são medidas eficientes e de baixo custo.
Atenção especial às áreas de interfaces
Os gargalos logísticos são mais encontrados nas zonas de interface localizadas nos centros de distribuição, rodoviárias, aeroportos, portos, porque estão sob a responsabilidade conjunta de vários atores. Para estabelecer uma nova logística, os atores envolvidos devem garantir transversalmente novas formas de coordenação. 
Façam suas apostas, a mesa do conhecimento em gestão está aberta e oferecendo a todos uma grande oportunidade de se reinventar e inovar!

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A “nova normalidade” moldará os negócios, o consumo e, consequentemente, a logística?

A “nova normalidade” moldando os negócios

Passamos por um momento singular da história da evolução humana. Os desdobramentos e as mutações sociais estão ocorrendo de forma acelerada. Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, estão sendo implementadas em meses ou dias, crescimentos esperados para anos, podem acontecer em semanas.

Os futuristas apontam o fim de uma era! A Covid-19 mudou nossas vidas, não apenas a alteração da rotina, mas transformações profundas. Entender essa nova realidade é se preparar para o futuro. Questionamentos os mais diversos e difusos estão inquietando a todos nós e as organizações. Por exemplo, como ou com que velocidade as empresas devem ou deverão responder e se adequar ao que virá daqui para a frente?

Um novo padrão de convívio social impõe-se. Precisamos começar a idealizar aquilo que vem sendo chamado de “novo normal”, com novas práticas para novos tempos, espaços, condições e sujeitos.

Nesse novo ambiente, serviços como os de “restaurantes fantasmas”, que funcionam só com delivery, entregas sem contato humano do tipo “deixe à minha porta”, coleta de compras nas lojas, horário diferenciado de atendimento de acordo com a idade dos clientes, restrição do número de clientes e funcionários ao mesmo tempo nas lojas, deverão se tornar comuns no nosso dia-a-dia por um bom tempo.

E nesse “Admirável Mundo Novo”, profetizado no romance de Aldous Huxley, sim, nós seremos, necessariamente, mais conectados do que nunca! O comércio eletrônico, mostrou na prática a indissociável relação entre o “on e off”, e passou de tendência para um hábito para muitas famílias.

Definitivamente, as compras on-line não estão mais restritas aos millennials. Cabe, no entanto, algumas reflexões sobre a sustentabilidade desse canal de compra, principalmente, se considerarmos os novos usuários: a experiência é fácil e intuitiva? As compras são personalizadas? O sistema possui capacidade de entrega?

O fenômeno das “compras de pânico” motivada pelo sentimento de medo de desabastecimento das famílias, expôs vários problemas dos sistemas de e-commerce. É consenso entre os varejistas, inclusive os gigantes mundiais, que os sistemas produtivos, tecnológicos e logísticos não estavam calibrados para um pico de demanda inesperada. Os serviços “same day delivery” ou next day delivery” foram todos temporariamente suspensos ao redor do mundo.

Não seria também a hora de tornar outras tendências praticáveis? Que tal os conceitos de compartilhamento, mutualização e lean and agile aplicados aos negócios e, principalmente, a logística? E se o modelo acompanhar pitadas da filosofia ubuntu, da tradição sul-africana, de empatia, humanidade para com os outros...bingo! Bienvenu a “nova normalidade”!